Sucessão na empresa familiar: por onde começar
Todo mundo sabe que a sucessão vai chegar. Poucos planejam. Um roteiro de três conversas para começar sem conflito.
A sucessão é o tema que as famílias empresárias mais adiam. Não por descuido, mas porque envolve conversas difíceis: quem assume, quem fica com o quê, o que acontece com quem não quer trabalhar na empresa. O resultado de adiar é conhecido: quando a transição acontece sem plano, a empresa para, o patrimônio se fragmenta e a família se divide.
Primeira conversa: o fundador
Antes de qualquer estrutura jurídica, o fundador precisa responder a três perguntas. O que ele quer para a empresa depois dele? O que ele quer para cada filho, independentemente da empresa? E quanto ele está disposto a soltar, e quando? Sem essas respostas, qualquer holding é só papel.
Segunda conversa: a família
Reunir a família para falar de sucessão assusta, mas é o que evita o conflito futuro. O objetivo não é decidir tudo, é alinhar expectativas: quem quer estar na gestão, quem prefere ser só sócio, quem não quer participar. Um facilitador externo ajuda a manter a conversa no trilho.
Terceira conversa: a estrutura
Só depois das duas primeiras faz sentido desenhar a estrutura: holding familiar, protocolo familiar, acordo de cotistas, doações com reserva de usufruto, testamento. A estrutura certa nasce das respostas da família, não de um modelo pronto.
O tempo certo
Um planejamento sucessório bem feito leva cerca de três meses para ser desenhado e de um a dois anos para ser implantado com calma. O pior cenário é fazê-lo às pressas, depois de um evento que ninguém escolheu.